A Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC) da Federação do Comércio do Estado de São Paulo (Fecomercio) registrou neste mês alta de 8 pontos percentuais no número famílias endividadas no município de São Paulo, passando de 45% em agosto, para 53% em setembro. Em relação ao mesmo período de 2007, quando o indicador atingiu 59%, houve queda de 6 pontos percentuais. Em números absolutos, o total de famílias endividadas passou de 1,6 milhões no mês anterior para 1,9 milhões neste mês.
Do total de famílias endividadas, 30% estão com contas em atraso, o que representa uma queda de 2 pontos percentuais em relação ao mês anterior. Quando analisado o número absoluto de consumidores, observa-se que existem cerca de 563 mil famílias endividadas com contas em atraso.
Segundo a Fecomercio, a expansão da massa real de rendimentos verificada nos últimos meses e a expansão da oferta de crédito têm impedido que o aumento do endividamento das famílias se traduzisse em elevados níveis de inadimplência.
De acordo com a pesquisa, entre os consumidores com rendimento de até 3 salários mínimos, 58% têm algum tipo de dívida. Na faixa de renda de 4 a 10 salários, 57% estão endividados, enquanto famílias que ganham mais de 10 salários mínimos o percentual de endividamento alcança cerca de 40%.
A PEIC mostra ainda que 39% dos endividados com renda até 3 salários mínimos estão com contas em atraso, contra 25% dos que ganham de 4 a 10 salários mínimos, e 26% entre os que possuem renda acima deste patamar.
A análise segmentada por sexo e idade mostra que as mulheres estão mais endividadas que os homens: 54% e 52% respectivamente. Por outro lado, na divisão por faixa etária, observa-se que os consumidores com idade entre 18 e 34 anos 56% estão endividados enquanto os acima de 35 anos correspondem a 50%.
Entre os inadimplentes, 26% acreditam não ter condições de pagar total ou parcialmente as suas dívidas, o que representa cerca de 147 mil famílias. Na segmentação por rendimento, observa-se que quanto menor a renda, menor é a intenção de pagamento, pois 37% dos consumidores que ganham até 3 salários mínimos informaram que não terão condições de pagar total ou parcialmente as suas contas em atraso, enquanto os que ganham entre 4 e 10 salários mínimos corresponde a 19%. Para aqueles que ganham mais de 10 salários mínimos, cerca de 9% declararam a intenção do não pagamento das suas dívidas em atraso.
Quando questionados sobre o que fariam caso a renda aumentasse em 50%, 71% dos consumidores responderam que quitariam suas dívidas, 13% poupariam e 7% comprariam bens duráveis. Entre os tipos de dívidas mais comuns, o cartão de crédito continua sendo o vilão para 45% dos consumidores e os carnês aparecem na seqüência, com 22%.
A maioria dos consumidores (89%) informou que não pretende contratar nenhum tipo de financiamento ou empréstimo nos próximos três meses, contra 8% das que pretendem. Dentre os que farão empréstimos, cerca de 30% declararam que o valor será em torno de R$ 5.000,00, para 27% entre R$ 500,00 e R$ 1.000,00, para outros 27%, entre R$ 1000,00 e R$ 2.000,00 e para 14%, chega entre R$ 2.000,00 e R$ 5.000,00.
Para o próximo mês, a expectativa para o nível de endividamento na cidade de São Paulo deverá ser bastante favorável em virtude da antecipação 50% do décimo terceiro salário para aposentados e pensionistas o INSS e do reajuste salarial de algumas categorias, além da oferta de crédito e melhoria de renda. A expectativa é de que o nível de endividamento encerre o ano menor do que em 2007.
NOTA METODOLÓGICA
A Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC), da Fecomercio, tem como objetivo monitorar o nível de comprometimento do consumidor com dívidas e sua percepção em relação à capacidade de pagamento, fatores fundamentais para o processo de decisão dos empresários do comércio e demais agentes econômicos.
A PEIC é apurada mensalmente pela Fecomercio desde fevereiro de 2004. A amostra engloba cerca de 2.100 consumidores no município de São Paulo. Das informações coletadas são apurados importantes indicadores: nível de endividamento, percentual de inadimplentes, intenção de pagar dívidas em atraso, nível de comprometimento da renda e tipo de dívida mais freqüente. Tais indicadores são segmentados por gênero (homens e mulheres); faixas de rendas (até 3 salários mínimos, de 3 a 10 salários mínimos e acima de 10 salários mínimos) e faixas etária (até 35 anos e acima de 35 anos).
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